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Não é segredo para ninguém que, após as eleições, o distanciamento entre o prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira, e seu padrinho político, Paulo Serra, ficou evidente. Já não há mais encontros públicos nem acenos nos bastidores. No entanto, diante da configuração do tabuleiro político do ABC, a dupla — se deixar as diferenças de lado — poderá liderar o maior grupo político da região.
Em São Caetano do Sul, o racha entre o prefeito Tite Campanella e seu antecessor, o ex-prefeito Auricchio Júnior, tornou-se público. Ambos têm travado um embate político que será inevitável em 2028.
Em São Bernardo do Campo, a estratégia do prefeito Marcelo Lima foi mais de espalhar do que de juntar. Ou seja, lideranças estabelecidas, como o ex-prefeito Orlando Morando e Alex Manente, viram o chefe do Executivo mais atrapalhar do que ajudar no cenário político. Assim, teremos três grupos do mesmo campo político disputando o Paço daqui a dois anos.
Mauá segue isolada como a única prefeitura administrada pelo PT. Diadema, por sua vez, também se isola politicamente e tenta resolver seus problemas mais internos. Já as demais cidades, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, não teriam capilaridade suficiente para formar um grupo com abrangência regional.
Está nas mãos de Paulo Serra — único deputado federal eleito da região — e de Gilvan Ferreira, prefeito da quinta maior cidade do Estado, a possibilidade de liderar o maior grupo político do ABC.
A política é como uma nuvem, mas também é possível prever a tempestade e usar o guarda-chuva. É preciso entender o momento único da região, abrandar as diferenças e unir o time novamente.
Eu, que estive dentro da administração de Gilvan, conheço as peças que compõem esse time e, sem dúvida, há quadros com capacidade para administrar qualquer secretaria do Estado. Além disso, existem figuras imprescindíveis no xadrez político, como o advogado Leandro Petrin.
O Natal se aproxima, os corações se amolecem e as lembranças dos bons momentos afloram. Que isso traga um novo momento para que os dois jovens líderes possam restabelecer o projeto inicial para a cidade e para a região.
E, como dizia um político já falecido: cavalo selado só passa uma vez.






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