A evolução patrimonial de Simone Tebet (MDB) ao longo de 18 anos chama atenção ao comparar as declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral.
Em 2004, quando disputou a Prefeitura de Três Lagoas (MS), Tebet informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não possuir bens a declarar. Em 2022, ao registrar sua candidatura à Presidência da República, declarou patrimônio de R$ 2.323.735,38.

O crescimento patrimonial ocorreu durante um período em que Simone Tebet consolidou sua carreira política em Mato Grosso do Sul, exercendo os cargos de prefeita de Três Lagoas, deputada estadual, vice-governadora, senadora e, posteriormente, ministra do Planejamento.
Outro aspecto que chama atenção é a localização dos bens declarados. Todo o patrimônio imobiliário informado ao TSE está concentrado em Mato Grosso do Sul. A lista inclui apartamentos em Campo Grande e Três Lagoas, casas nas duas cidades, terrenos urbanos em Três Lagoas e uma gleba rural em Caarapó. Não há imóveis declarados no estado de São Paulo.

A concentração dos bens no estado onde construiu sua carreira política ganha relevância diante das especulações sobre uma eventual candidatura de Tebet ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. Embora a legislação eleitoral estabeleça os requisitos para elegibilidade, o fato de seu patrimônio declarado permanecer integralmente vinculado a Mato Grosso do Sul pode alimentar o debate político sobre sua identificação com o eleitorado paulista.
Entre os bens declarados em 2022 estão:
- Apartamentos em Campo Grande, avaliados em R$ 310 mil, R$ 200 mil e R$ 81.903,69;
- Quatro apartamentos em Três Lagoas, de R$ 200 mil cada;
- Casas em Campo Grande e Três Lagoas;
- Três terrenos urbanos em Três Lagoas;
- Uma gleba rural em Caarapó, avaliada em R$ 457.209,33;
- Saldo de R$ 59.225,08 em conta corrente.
Os dados são extraídos das declarações de bens apresentadas pela própria Simone Tebet ao TSE. A comparação entre 2004 e 2022 evidencia um crescimento patrimonial expressivo. No entanto, as declarações públicas, por si sós, não permitem concluir a origem dos recursos nem indicam qualquer irregularidade, uma vez que a legislação admite a evolução patrimonial decorrente de renda, investimentos, aquisições, heranças e outros meios legais.
A diferença entre as duas declarações, contudo, representa um dado de interesse público e integra o conjunto de informações que podem ser consideradas pelo eleitor ao avaliar a trajetória patrimonial e política de agentes públicos.















