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ABC mantém força na Alesp, mas perde espaço em Brasília após eleição de 2026

Região elege apenas dois deputados federais, enquanto mantém sete representantes na Assembleia Legislativa; resultado marca derrota de nomes tradicionais da política regional

O resultado das eleições de 2026 redesenhou a representação política do Grande ABC em Brasília e na Assembleia Legislativa de São Paulo. Enquanto a região conseguiu manter uma bancada expressiva na Alesp, com sete deputados estaduais eleitos, o número de representantes com origem eleitoral no ABC na Câmara dos Deputados caiu de forma significativa.

Para a Câmara Federal, foram eleitos Mauricio Neves (PP), com 269.996 votos, e Paulo Serra (PSDB), ex-prefeito de Santo André, com 132.866 votos. A posse dos novos deputados está prevista para 1º de fevereiro de 2027.

O resultado representa uma mudança importante no cenário político regional. Deputados federais que já possuíam mandato e eram ligados ao ABC, como Alex Manente, Vicentinho e Fernando Marangoni, não conseguiram a reeleição. Também ficaram de fora nomes de peso que buscavam uma cadeira na Câmara, como o ex-prefeito de São Bernardo Orlando Morando.

Paulo Serra transforma força municipal em mandato federal

Entre os eleitos, a vitória de Paulo Serra ganha peso político por representar a transferência de uma trajetória construída no Executivo municipal para Brasília.

Ex-prefeito de Santo André por dois mandatos, Serra obteve 132.866 votos e será deputado federal pela primeira vez. Sua eleição acontece em um momento de renovação da representação política do ABC na Câmara.

Mauricio Neves, por sua vez, conseguiu a reeleição e foi o deputado federal mais votado entre os nomes ligados eleitoralmente à região, com 269.996 votos.

Alesp mantém bancada regional

Se Brasília representa perda de espaço, o mesmo não ocorreu na Assembleia Legislativa.

Os sete deputados estaduais que já possuíam mandato e estavam identificados pela Folha do ABC como representantes da região conseguiram a reeleição.

A bancada será formada por:

  • Ana Carolina Serra (PSDB) — 132.881 votos
  • Luiz Fernando (PT) — 94.901 votos
  • Carla Morando (PSD) — 94.596 votos
  • Teonílio Barba (PT) — 74.115 votos
  • Rômulo Fernandes (PT) — 73.648 votos
  • Thiago Auricchio (PL) — 59.942 votos
  • Atila Jacomussi (PRD) — 54.065 votos

Todos deverão iniciar a nova legislatura em 1º de fevereiro de 2027.

Derrota de nomes tradicionais muda o jogo

O principal impacto político da eleição está na renovação da representação federal.

Alex Manente, que buscava a reeleição após três mandatos consecutivos, ficou fora da Câmara. Fernando Marangoni também não conseguiu renovar sua cadeira. Orlando Morando, ex-prefeito de São Bernardo e um dos principais nomes da política regional, igualmente não alcançou uma vaga.

O resultado também atinge o PT. Moisés Selerges, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não conseguiu se eleger. Vicentinho, outro nome histórico do partido na região, também ficou fora.

ABC terá que reconstruir sua força em Brasília

A nova composição coloca o Grande ABC diante de um desafio político: transformar os dois mandatos conquistados na Câmara em uma representação capaz de recuperar espaço institucional para a região.

A diferença é ainda mais significativa quando comparada ao cenário anterior. A região, que contava com uma bancada federal mais numerosa, chega a 2027 com apenas dois deputados eleitos.

Na prática, Paulo Serra passa a ocupar um papel estratégico como principal liderança federal diretamente identificada com uma das maiores cidades do ABC, enquanto Mauricio Neves garante a continuidade de seu mandato.

Já na Alesp, a região mantém uma bancada numerosa e politicamente diversificada, reunindo nomes de diferentes partidos e campos ideológicos.

O resultado, portanto, produz uma situação aparentemente contraditória: o ABC mantém sua presença política no Estado, mas perde representatividade direta em Brasília.

A eleição de 2026 deixa, assim, uma nova correlação de forças na região. Lideranças tradicionais perderam espaço, novos nomes ganharam protagonismo e a disputa pela reconstrução da bancada federal deverá fazer parte das articulações políticas do Grande ABC nos próximos anos.

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