Há memórias que o tempo não apaga e há sociedades que precisam fazer questão de não esquecê-las. É nesse território entre lembrança e compromisso que atua o Coletivo Memória e Democracia, grupo dedicado a resgatar histórias de resistência à ditadura militar, defender os direitos humanos e reconhecer aqueles que enfrentaram a repressão. Nesta sexta-feira (28), a partir das 18h, o coletivo realiza no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, em Santo André, uma de suas ações mais simbólicas: a entrega da Medalha Manoel Fiel Filho a ex-presos políticos e entidades que se destacaram na defesa da democracia e da justiça social.
A homenagem leva o nome de Manoel Fiel Filho, operário metalúrgico assassinado sob tortura nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, em 1976. A escolha do Sindicato como palco da cerimônia acrescenta outra camada de significado ao encontro. Prestes a completar 93 anos, a entidade é também um lugar de memória do movimento operário do ABC e das lutas sociais que atravessaram diferentes períodos da história brasileira. Ali, a memória deixa de ser apenas documento ou fotografia antiga e volta a ser uma experiência coletiva feita de nomes, vozes, histórias e testemunhos.
Entre os homenageados estão os ex-prefeitos de Santo André João Avamileno e Carlos Grana; o secretário de Desenvolvimento Econômico de Mauá, Cícero Martinha; e Celina Fernandes, mãe do deputado estadual Rômulo Fernandes. A iniciativa do Coletivo não se limita à entrega da medalha. Ao longo de sua atuação, promove debates, encontros e lançamentos de obras históricas em espaços relacionados à memória política brasileira, criando uma ponte entre as gerações que viveram a repressão e aquelas que nasceram em democracia.
Para Cícero Martinha, preservar essa memória é uma tarefa política e, sobretudo, democrática. “O trabalho do Coletivo Memória e Democracia é fundamental porque ajuda a impedir que a história seja esquecida ou contada de maneira distorcida. Resgatar a trajetória de quem lutou contra a ditadura, defender os direitos humanos e homenagear essas pessoas é reafirmar que democracia não é uma conquista definitiva: é um compromisso que precisa ser cultivado todos os dias”, afirma.
Em tempos de disputas pela memória e de tentativas de reescrever o passado, a Medalha Manoel Fiel Filho cumpre uma função simples e necessária: lembrar que a democracia também se constrói lembrando daqueles que pagaram um preço alto para que ela existisse.


















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