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Vice-presidente da Unafisco critica decisão do TCU sobre diárias da Lava Jato



“Total inversão de valores e a falta de vergonha do sistema político’, afirma Kleber Cabral
O ex-presidente do Sindifisco Nacional e Vice-Presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral, expressou sua revolta a respeito da decisão da Segunda Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou nesta terça-feira (9) que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, o ex-procurador Deltan Dallagnol e o ex-procurador-chefe da Procuradoria da República no Paraná João Vicente Beraldo Romão devolvam mais de R$ 2,8 milhões ao erário por gastos realizados durante a operação Lava Jato.
“A condenação de Deltan Dallagnol por causa de diárias que ele não recebeu nem mandou pagar só mostra a total inversão de valores e a falta de vergonha do sistema político. O TCU se dobrou a Bruno Dantas, a mão vingadora dos corruptos atingidos pela Lava Jato. Agora resta o STF”, afirmou Cabral.
Em 2021 o ministro Bruno Dantas acatou a representação do subprocurador Lucas Furtado, do Ministério Público (MP) junto ao TCU e determinou uma investigação minuciosa nos gastos da Operação Lava Jato com viagens e diárias. Os ministros analisavam se o modelo adotado para pagamento de diárias a procuradores de outras cidades foi uma escolha sábia e econômica por parte dos gestores.
A decisão desta terça-feira dos ministros desconsidera o parecer de 14 manifestações técnicas de cinco diferentes instituições (MPF, TCU, MP-TCU, ANPR e JF) que referendaram a atuação da Lava Jato e os pagamentos feitos..
Cabral ressalta a irresponsabilidade da decisão da 2.a Câmara do TCU e reforça que isto não torna o ex-procurador inelegível, já que a lei determina que se tornam inelegíveis apenas “os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário” (art. 1o, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar 64/90).

Ainda, Cabral afirma prestar apoio para Dallagnol e espera que a verdadeira justiça seja feita e que acabem os desmontes das instituições.
“Esta não é a primeira vez que políticos poderosos se voltaram contra profissionais que investigam a corrupção. Já vimos isso acontecer também com a Receita Federal”, lembra Cabral. “O que estamos vendo é que o sistema, formado por velhas raposas, querem impedir a todo custo que o combate à corrupção chegue ao Congresso Nacional. Por isso, os brasileiros precisam dar a resposta através do voto em outubro, elegendo candidatos comprometidos com o combate à impunidade”, diz.
Cabral é pré-candidato à deputado estadual pelo Podemos em São Paulo. Entre as bandeiras defendidas por ele está o combate à corrupção e a fiscalização dos gastos públicos.