Lema de Kiko é: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”

Ao melhor estilo do “faça o que digo, mas não faça o que faço”, o prefeito de Ribeirão Pires, Kiko Teixeira (PSB) enviou à Câmara um projeto para revogar uma Lei Municipal que reduzia carga horária e salários dos chamados “comissionados” (aqueles funcionários indicados por políticos para ocupar cargos no governo sem a necessidade de concurso público) em 15%. A Lei Municipal 5991 foi aprovada em 2015 e sua revogação, assinada por todos os vereadores da cidade (com exceção de Flávio Gomes do PPS, que faltou à sessão) permitirá ao prefeito  aumentar o próprio salário e também majorar os vencimentos dos secretários e demais indicados por Kiko.

Pois bem senhores. Num momento em que a saúde financeira de nossos municípios encontra-se na UTI, em que justamente os gastos públicos em excesso são apontados como os maiores causadores da atual e grave crise econômica em que vive o Brasil e também o município de Ribeirão Pires, o correto seria economizar, otimizar, enxugar e poupar. Kiko vai na contramão dos mais elementares conceitos de administração pública, além de expressar as contradições existentes entre suas palavras, panfletos, discursos e sua prática gerencial.

Contradizendo seu próprio plano de governo, que em sua página 10 pretendia Priorizar o planejamento municipal otimizando os recursos públicos”, Kiko não somente deixa de otimizar os poucos recursos existentes, como aumenta sua carga em folha de pagamento, que passará dos atuais R$ 360.675,29 para R$ 424.327,40 mensais. Lembrando que até o momento o Prefeito Kiko já apadrinhou 85 comissionados, podendo incluir ainda mais 116 pessoas no famoso “trem da alegria”, pagos com os impostos do contribuinte. O impacto no orçamento será grande, uma vez que o aumento salarial para os comissionados representará um acréscimo de R$ 830 mil nos gastos da prefeitura.

E as contradições de Kiko Teixeira não param por ai. Enquanto promete economia, gasta sem critérios e onera o orçamento, além de penalizar a população com a extinção do benefício que garantia redução tarifária do transporte coletivo municipal aos domingos e feriados. Com isso, nosso sofrido povo passa a pagar R$ 3,80 a passagem do ônibus, ao invés de R$ 1,00 como era praticada desde dezembro de 2015.

As justificativas apresentadas são as mais estapafúrdias possíveis: alega necessitar “da dedicação total dos funcionários que estão sendo nomeados” e que “não haverá comprometimento orçamentário nem financeiro”. Com a palavra, os funcionários públicos concursados de Ribeirão Pires, que há tempos não sentem cheiro de aumento em seus salários e que constantemente sofrem com o receio de sequer receber seus parcos rendimentos ao final de cada mês.

Daniel Alcarria é historiador, professor de história, jornalista e formado em Gestão Pública.