Opinião: Câmara de Santo André aprova a elitização da política e dificulta lideranças da periferia

0
Foto: ABCD Jornal

Por: Samuel Boss

De autoria do presidente da Câmara de Santo André, Pedrinho Botaro (PSDB), os vereadores aprovaram na última terça-feira (1/12) um projeto de lei que exige ensino superior para todos os assessores dos parlamentares. Além da redução de nove para oito assessores por gabinete.

Sob a justificativa de estar em consonância com as exigências do Tribunal de Contas, a Casa aprovou (com exceção do vereador Minhoca) a elitização da política na Casa e dificultou a entrada de lideranças da periferia na assessoria parlamentar.

Apesar das políticas publicas de inclusão dos jovens de baixa renda no ensino superior como: PROUNI, SISU e FIES, apenas 21% dos brasileiros possuem graduação superior.

Um vereador eleito da periferia de Santo André não poderá mais contar em sua equipe de trabalho com aquelas lideranças que exercem trabalhos constante nas comunidades, a não ser que este, ao invés de capacidade política, apresente também um diploma universitário. Uma aberração.

Até porque, os mesmos que aprovaram a lei, depende totalmente dessas lideranças -não graduadas- durante suas campanhas. São essas lideranças que reverberam o trabalho do candidato dentro de comunidades e setores específicos como: o futebol de várzea, as igrejas evangélicas e católicas entre outros. Ou seja, essas lideranças sem graduação podem pedir voto para o eleger o candidato (que muitas vezes não é graduado), mas será barrado e não poderá colocar no peito um crachá de funcionário da Câmara de Santo André.

Seria mais coerente exigir que cada assessor contratado se comprometesse a cursar uma graduação ou terminar seus estudos para tal. Mas a presidência entendeu que a voz do Tribunal de Contas que tem um custo de mais de R$ 100 milhões por ano dos cofres públicos, do que olhar para aqueles que levam seus nomes nos quatro cantos da cidade.