Disputa pelas duas cadeiras ao Senado em São Paulo começa a ganhar contornos de uma eleição marcada pela fragmentação do voto da direita e pelo equilíbrio entre os principais candidatos
A disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo começa a apresentar um cenário cada vez mais embolado. Pesquisas recentes apontam uma diferença pequena entre os principais candidatos, indicando uma eleição que pode ser decidida nos detalhes e, principalmente, pela capacidade de cada grupo político de consolidar seu eleitorado.
No cenário apresentado pelas pesquisas, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) aparecem com 13% cada, seguidas por André do Prado (PL), com 11%, e Guilherme Derrite (PP), com 10%. Ricardo Salles (Novo) aparece com 5%.
Apesar de aparecer numericamente atrás dos quatro primeiros colocados, Salles pode exercer um papel relevante na equação eleitoral para as candidatas do presidente Lula (PT). Isso porque sua candidatura ocupa um espaço importante no eleitorado de direita e pode dificultar a concentração de votos em nomes mais diretamente associados ao governador Tarcísio de Freitas.
É justamente nesse ponto que estaria uma das principais estratégias das campanhas de Marina Silva e Simone Tebet: evitar, neste momento, um confronto direto com Ricardo Salles.
A lógica eleitoral é relativamente simples. Em vez de transformar Salles em um adversário central e ampliar sua exposição, as campanhas poderiam deixar que a disputa pelo eleitorado conservador aconteça principalmente entre o ex-ministro e os candidatos identificados com o grupo político de Tarcísio.
Nesse cenário, André do Prado aparece como uma peça importante. Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e nome próximo ao governador, Prado tende a concentrar parte do esforço do grupo governista para consolidar um dos votos destinados ao Senado.
A estratégia de Tarcísio também passa pela tentativa de associar sua própria imagem à candidatura de Prado, utilizando a força política do governador para transferir votos ao aliado. Quanto mais eficiente for essa transferência, maior a possibilidade de o candidato do PL se consolidar entre os dois primeiros colocados.
Mesmo com 5% nas pesquisas, o candidato do Novo pode representar uma parcela significativa de votos que, em um cenário de maior concentração, poderiam migrar para candidatos apoiados por Tarcísio. A fragmentação do voto da direita, portanto, pode abrir espaço para que candidaturas identificadas com o campo do presidente Lula disputem as duas cadeiras. Manter Salles no ataque faz dele um freio importante para o crescimento dos candidatos de Tarcísio.

















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