Opinião: Quanto tempo vai durar a lua de Mel entre os novos prefeitos e a população?

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Por Samuel Boss

Ser prefeito não é fácil. Corta uma despesa e faz selfie para divulgar; anuncia novo secretário, é hora da live no Facebook; Faz um mutirão de limpeza, grava um vídeo explicando ato…

Não tem sido fácil, os novos prefeitos estão afinados com as leis da publicidade, vendem cada gesto como se fosse um ato heroico. Aqui no Brasil, o povo aplaude e a mídia publica quando um cidadão acha uma carteira e devolve,

deveria ser obrigação, mas  no meio de tanta canalhice, a obrigação virou virtude.

As obrigações dos gestores públicos também viraram atos de heroísmo: cortar gastos, enxugar a máquina, cortar cargos de comissão, fiscalizar pessoalmente as obras… enfim, estamos assistindo o dia a dia dos novos prefeitos como num reality show. Selfies, lives e vídeos diariamente para que o cidadão acompanhe todos os atos heroicos dos novos gestores.

Átila Jacomussi- prefeito de Mauá- postou foto comendo marmita no meio do expediente; Auricchio – prefeito de São Caetano do Sul- expôs a frota de veículos que estava devolvendo à locadora, em frente à Câmara Municipal com adesivos enormes escrito: “DEVOLVIDO”. Paulinho Serra – prefeito de Santo André- faz lives no Facebook a cada ação de rua; Orlando Morando – prefeito de São Bernardo do Campo- usa as redes sociais para anunciar as falhas do governo petista e mostrar seu empreendedorismo; Lauro Michels – prefeito de Diadema- subiu num caminhão para protestar em frente ao terminal da EMTU, contra a taxa de baldeação.

Mas até quando vai durar essa Lua de Mel?

Passaram-se apenas 16 dias de governo, e os novos prefeitos estão gerando uma expectativa danosa para a população e para eles mesmos. O momento é de crise, pouco dinheiro federal e estadual, os governos não conseguirão apresentar grandes obras, tampouco, as grandes cidades da região como: Mauá, São Bernardo do Campo e Santo André vão conseguir resolver o caos da Saúde.

O problema não está apenas no prefeito, mas sim no sistema:  diretores, médicos, enfermeiros, servidores, usuários… Não há como solucionar, apenas amenizar. Para solucionar é preciso uma reforma. Mas se o prefeito for mexer com rotina dos médicos, que acostumaram-se em fazer jornada dupla, entre o privado e o público, o sistema trava! Os médicos reagem, o atendimento cai e o caos aumenta. Melhor resolver de outra forma.

Faltam três anos e 11 meses de gestão, e os novos prefeitos estão gastando toda energia de marketing e publicidade nos 15 primeiros dias. Será que daqui um ano, quando as coisas continuarem problemáticas, haverá lives, selfies e vídeos?

A população é imediatista, terá paciência até a metade do ano, depois as cobranças começam. Se a atendente do Posto de Saúde não agir como o esperado, a culpa será do prefeito; se o exame demorar mais de 30 dias, as redes sociais começam a fervilhar; se a mãe não encontrar a vaga da creche, a família inteira critica o gestor e tudo volta a ser como antes.

A paixão acaba, o fervor da Lua de Mel diminui e vem a rotina. E como agirão os gestores na primeira crise desse relacionamento? Vão fazer uma “DR” ou vão se entocar nos gabinetes e voltar às ruas nas eleições?

O tempo dirá.