Margot Bina Rotstein, sobrevivente da Noite dos Cristais — ataque promovido pelo regime nazista contra os judeus na Alemanha e na Áustria nos dias 9 e 10 de novembro de 1938 —, compareceu ontem ao Colégio Xingu, em Santo André, como parte de um fórum sobre o Holocausto. Naturalizada brasileira, Margot é de origem alemã.
Margot, aos 93 anos, recorda vividamente o ataque que ocorreu durante o auge da perseguição e genocídio de cerca de seis milhões de judeus europeus pelo regime nazista. Margot tinha apenas 6 anos quando os nazistas iniciaram uma violenta operação coordenada contra sinagogas, residências e estabelecimentos comerciais judaicos, que foram demolidos e saqueados. O nome “Noite dos Cristais Quebrados” originou-se da imensa quantidade de fragmentos de vidro que cobriu as ruas após a devastação.
“É uma narrativa bastante triste, mas precisa ser contada para que nunca mais se repita. Havia um receio, mas ninguém tinha consciência da realidade e do terrorismo que se seguiria. Meu pai precisou se esconder, e eu tinha que levar recados da minha mãe para ele e vice-versa. Foi algo extremamente horrível. É inacreditável o que as pessoas fizeram. Havia cacos de vidro espalhados por toda parte. “Minha mãe mandou eu não olhar para o lado e, de fato, fui em frente e não olhei para ninguém”, relata.
Margot declara que não esteve em campo de concentração, pois ela, seu pai e sua mãe conseguiram escapar para a França e, posteriormente, para a América do Sul, onde possuíam vistos para Paraguai, Bolívia e Brasil. No entanto, a maioria dos parentes da nova brasileira não teve a mesma sorte.
Embora reviva o medo e a angústia de abandonar seus entes queridos e tudo o que possuía — sua família fugiu para a França apenas com a roupa do corpo —, Margot reconhece que compartilhar esse episódio doloroso é uma maneira de enfatizar a importância de combater o racismo, a intolerância e promover mais empatia entre os povos.
















