Em debate, João Dória fala em ‘Golpe Militar’ e destoa do discurso direitista de Bolsonaro

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No debate da Band da última quinta-feira (18), o candidato ao governo de São Paulo, ex-prefeito da capital, João Dória (PSDB), ao falar da sua biografia afirmou que o pai foi exilado após o “golpe militar”. A afirmação de Dória destoa do discurso direitista que ele propõe para se aproximar do presidenciável, Jair Bolsonaro (PSL).

O candidato do PSL é capitão da reserva e negou em entrevista ao Roda Viva da TV Cultura que houve golpe militar em 1964.

“Não houve golpe militar em 1964. Quem declarou vago o cargo do presidente na época foi o Parlamento. Era a regra em vigor”, disse Bolsonaro na entrevista.

O parlamento, na qual Bolsonaro se refere, tinha a participação do deputado federal e pai de Dória, João Agripino da Costa Dória do Partido Democrata Cristão (PDC). Dória pai foi cassado nove dias após golpe militar e perdeu os direitos políticos e, com ajuda de Ulysses Guimarães se escondeu na embaixada da Checoslováquia e seguiu para o exílio em Paris.

A estratégia de Dória no segundo turno de endurecer o discurso contra a esquerda e fazer coro com a onda direitista de Bolsonaro soa como negação da vida política do próprio pai que era visto como um político de víeis progressista de esquerda.

Em 1963, João Dória pai discursa no parlamento e rebate a forma autoritária do combate ao anti-comunismo. Veja o discurso completo aqui

“Para esses estrategistas do anti-comunismo, saudosistas de Hitler e Mussolini, o combate à ideologia marxista reclama o emprego de métodos totalitários opostos, mas equivalentes. São os síndicos da liberdade, os falencistas da democracia, os pioneiros do terror ideológico do macarthismo e do neofascismo no Brasil. Arautos da enganosa teoria do mal necessário: ressuscitar os inimigos mortais de ontem para derrotar os mortais inimigos de hoje”, disse o Dória pai.