Mário Alexandre Gazziro, docente e pesquisador da UFABC (Universidade Federal do ABC), está sendo processado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). De acordo com as agências de fomento de São Paulo, o professor recebeu R$ 385 mil em abril de 2012 para executar um projeto que não foi concluído.
Ademais, o docente pode ter infringido as regras do serviço público federal ao realizar uma atividade remunerada fora do campus universitário, apesar de estar vinculado à UFABC em regime de dedicação exclusiva.
O montante arrecadado seria empregado, no âmbito privado, para a realização de pesquisas destinadas à elaboração de um sistema de controle de precisão de micromotores para a área odontológica. Contudo, os relatórios científicos não foram entregues conforme o cronograma estipulado no contrato, e as prestações de contas parciais foram reprovadas. De acordo com documentos que o Diário teve acesso, isso caracterizou o “abandono do projeto de pesquisa”.
O financiamento público foi transferido para a conta da ALG Tryon Indústria de Equipamentos Eletrônicos Ltda, empresa localizada em São Carlos, interior de São Paulo, sob a propriedade de Mário Alexandre Gazziro.
A Fapesp tentou um acordo extrajudicial com o professor da UFABC, mas não obteve sucesso nas negociações. O caso foi levado ao tribunal em 2016. O valor devido foi atualizado monetariamente pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e estabelecido em R$ 511.877 quase uma década atrás, no início do processo judicial. Levando em conta a aplicação de juros simples de 1% ao mês, o valor a ser reembolsado à Fundação, caso fosse feito hoje, seria um pouco superior a R$ 1,08 milhão, de acordo com os cálculos feitos pela reportagem.
Durante quase uma década, o professor foi notificado pela Justiça em duas cidades diferentes. Correspondências foram encaminhadas para endereços em São Carlos e Santo André. O dossiê indica que Gazziro reside no Grande ABC. Localizado no bairro Bangu, o condomínio residencial vizinho a uma vila de casas populares está situado a cerca de 500 metros da UFABC. Em resposta à procura, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) informou apenas que o processo se encontra na etapa “de citação das partes”.
No ano passado, Mário Gazziro ganhou destaque na mídia ao afirmar que o vídeo atribuído ao padre Júlio Lancellotti era falso. Nesse vídeo, o religioso supostamente se masturbava diante de um menor de idade. Em relação ao material, o perito afirmou que “houve montagem, edição e divulgação de material adulterado”.
















