Nesta sexta-feira (31), a Comissão Especial da Câmara de São Bernardo, que investiga intoxicações por bebidas adulteradas com metanol, ouviu representantes das cooperativas Reluz e Cooperluz, responsáveis pela coleta e triagem de recicláveis na cidade. Os vereadores convidaram os cooperados para explicar o processo de coleta e destinação das garrafas de vidro na coleta seletiva.
Em depoimento, Claudemir Sebastião da Silva, presidente da Cooperativa Reluz, esclareceu que as cooperativas não vendem garrafas inteiras e que, na maioria das vezes, o material coletado na coleta seletiva já chega quebrado. “O caminhão é do tipo compactador. O vidro já chega quebrado à cooperativa. Não vendemos garrafas inteiras. “Quem vende é o ferro-velho, pois os catadores de rua obtêm diretamente de bares e adegas”, declarou Claudemir.
Ele também ressaltou que o valor de revenda do vidro é bastante baixo, tornando o material pouco lucrativo para os cooperados. “Uma caçamba com capacidade para até 18 toneladas custa aproximadamente entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil.” A mão de obra do cooperado não é paga pelo vidro. “Reciclamos muito mais por compromisso com a cidade do que por lucro”, acrescentou.
Viviane Conceição de Souza, diretora-tesoureira da Cooperluz, enfatizou que as cooperativas não realizam negociações com atravessadores ou compradores informais.
“Desde que compreendemos o processo de reciclagem, aprendemos que vender garrafa inteira é contribuir para algo errado. “Somente negociamos com empresas legalizadas e todo o material é acompanhado de nota fiscal”, afirmou.
Além disso, os representantes das cooperativas disseram que a coleta seletiva oficial da cidade é realizada por caminhões compactadores contratados pela administração municipal, o que impossibilita a reutilização de garrafas. Uma parte do material é enviada às cooperativas por esse sistema, enquanto outra é coletada em grandes locais, como casas de shows, onde o vidro é triturado imediatamente.
Quando questionados pelos vereadores sobre políticas públicas, os cooperados argumentaram que aumentar os incentivos e fortalecer as cooperativas ajudaria a diminuir a presença de catadores informais e sucateiros, identificados como possíveis meios de desvio das garrafas utilizadas em bebidas adulteradas.
Outra proposta a ser apresentada ao Executivo sugere a formação de uma força-tarefa composta pela Guarda Civil Municipal (GCM), Vigilância Sanitária e fiscais da Secretaria de Obras para inspecionar ferros-velhos suspeitos de revender garrafas.”Se não é possível vender, é necessário tomar medidas. E, caso possam, que essa autorização seja reavaliada”, acrescentou o vereador.
Julinho considerou a reunião produtiva e declarou que a comissão continuará trabalhando para assegurar a segurança da população. “Foi um trabalho de grande relevância, com medidas voltadas para restabelecer a ordem e garantir a segurança da população, permitindo que as pessoas possam frequentar bares e restaurantes com tranquilidade e prestigiando os comerciantes que atuam dentro da legalidade”, finalizou.
















