Opinião: A FACADA EM GERALDO ALCKMIN

0

Por Nilton Tristão
Estávamos caminhando a passos lentos, porém, inexoravelmente na direção do dia 07 de outubro. Uma trilha enfadonha, marcada pelo desinteresse popular e a vontade majoritária do eleitorado em anular o voto ou simplesmente abster-se da participação do pleito.

Nada de inusitado ameaçava tirar o processo do profundo marasmo e a irritante previsibilidade das campanhas quando, numa edílica tarde de quinta-feira, o líder na corrida presidencial durante um ato de campanha, recebe a estocada que retirou toda a nação do estado latente de catarse.

Não mais que de repente, somos abarcados por um frenesi de opiniões, algumas marcadas pela perplexidade, outras pela volúpia e as demais pela indignação. O debate ressurgiu com força, desnudando o contorno de um país enfermo, que elegerá em breve o 38º Presidente da República.

O cidadão Adélio Bispo de Oliveira, provavelmente imbuído da mesma determinação dos jovens sérvios que ceifaram a vida do Arquiduque Austríaco Francisco Ferdinando em 1914, não feriu apenas o abdômen de Bolsonaro, acertou severamente o coração da campanha de Geraldo Alckmin, que vinha lutando com afinco para transformar-se na melhor opção do campo de centro-direita.

A adaga da história transformou o calvário de Jair em um lugar mítico repleto de significados. O séquito que serra fileiras em seu desígnio, tanto pelas vias concretas como nas virtuais, foi tomado pelo êxtase e autoconfiança messiânica de quem segue um líder predestinado.

Nesse cenário, não há outro concorrente capaz de evitar que Bolsonaro amplie sua participação junto ao eleitorado conservador. Uma trajetória praticamente irresistível na direção do segundo turno, no qual Henrique Meireles, João Amoêdo e Álvaro Dias são incapazes de se contrapor a esse movimento.

Por outro lado, as duas frentes abertas pelo postulante tucano, uma de confrontar o governo Temer e a outra de criticar o comportamento nada ortodoxo do candidato do PSL, são incapazes de conquistar os corações e mentes em favor da empreitada social-democrata.

Assim, Geraldo Alckmin adentrou numa lacuna desprovida de sentido lógico e representatividade efetiva. Arremessado numa arena onde o bom senso, a experiência administrativa e as posições moderadas são incapazes de evitar a solidão que aplaca sua candidatura.

Nilton Cesar Tristão
Cientista Político
OPINIÃO PESQUISA E GOVNET