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Com mais parques e áreas verdes, São Paulo vira cenário para descoberta de aves raras até no Centro

Quem frequenta os parques da cidade de São Paulo pode encontrar muito mais do que áreas verdes para caminhar e descansar. Também pode avistar espécies raras de aves, que têm aparecido com mais frequência em lagos e copas de árvores e estão sendo admiradas e fotografadas de perto por quem participa do Vem Passarinhar Sampa, projeto da Prefeitura em parceria com a ONG Save Brasil, que desde 2022 já levou quase 3 mil pessoas a passeios gratuitos de observação de pássaros.

Os passeios ajudaram a registrar mais de 230 espécies na capital, incluindo exemplares raros encontrados até em parques da região central. A iniciativa revela uma biodiversidade que permanece presente entre árvores, lagos e caminhos movimentados da metrópole.

Foi assim na Floresta Municipal Fazenda Castanheiras, que fica às margens da Represa Billings e vizinha ao Parque Natural Municipal Bororé, na Zona Sul, onde uma saída do Vem Passarinhar Sampa registrou pela primeira vez no local uma araçari-poca. “Nós observamos desde as aves mais urbanas e frequentes na cidade até espécies raras. Na Fazenda Castanheiras fizemos o registro de uma araçari-poca pela primeira vez neste parque. É uma ave rara para o município de São Paulo, e a primeira vez que a vimos foi durante o Vem Passarinhar”, conta a bióloga da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Anelisa Magalhães.

A surpresa é parte da graça de procurar pássaros em uma megalópole. E não é preciso ir para longe do Centro para encontrá-la. No Parque da Independência, no bairro do Ipiranga, por exemplo, participantes do projeto foram surpreendidos, no começo deste ano, pela aparição de um gavião-asa-de-telha, espécie rara na cidade e que, anteriormente, só era possível observar no interior do Estado.

No Parque da Aclimação, em 2023, quem participou das atividades encontrou outros visitantes ilustres: papagaio-verdadeiro, socozinho, socó-dorminhoco, pica-pau-banda-branca e pica-pau-de-cabeça-amarela. Já na Praça da República, em plena região central, foi registrada, em 2025, a presença de um ferreirinho-relógio, ave pequena e de comportamento discreto, que costuma permanecer escondida para evitar predadores.

E há ainda aquelas manhãs em que até um parque já conhecido parece ganhar uma nova paisagem. Foi o que aconteceu no Parque 9 de Julho, na Zona Sul, quando os participantes encontraram cinco espécies de aves: paturi, carqueja-de-bico-amarelo, marreca-toicinho, marreca-pardinha e marreca-parda.

“Mesmo em parques onde costumamos ir, sempre vai ter alguma coisa diferente. No Parque 9 de Julho, tivemos uma grande surpresa: encontramos cinco espécies de aves no local: a paturi, o carqueja-de-bico-amarelo, a marreca-toicinho, a marreca-pardinha e a marreca-parda. Foi surreal ter visto essas espécies”, conta o biólogo Giovanni Pupin, da Divisão da Fauna Silvestre da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

Antes de se tornar servidor público, Giovanni estava do outro lado da atividade. Era munícipe e participava do Vem Passarinhar Sampa por diversão. O projeto, conta ele, tinha um atrativo que continua presente: a possibilidade de conhecer lugares da cidade e encontrar animais que, muitas vezes, só eram conhecidos por fotografias ou livros.

“Eu participava do projeto Vem Passarinhar Sampa por diversão, porque você acaba conhecendo os parques da cidade e vendo bichos diferentes. Durante as visitas, tem sempre uma surpresa”, relembra.

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