Unifesp pode interromper atividades devido aos cortes de Bolsonaro

Em nota, UNIFESP afirma que o bloqueio está mantido, correndo risco de interromper suas atividades no segundo semestre.

No site da Universidade Federal de São Paulo, a instituição declara que corre o risco de paralisar seu funcionamento a partir do segundo semestre deste ano (2019) devido aos cortes orçamentários realizados pelo governo.

No final de Abril, o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, cortou 30% do orçamento voltado às universidades e institutos federais, fato que gerou uma onda de indignação e revolta na juventude, que tomou as ruas no dia 15 e 30 de Maio em defesa da educação. Sendo aquelas duas as primeiras grandes manifestações de rua contra o governo Bolsonaro, chegando a ter centenas de milhares nas ruas em todo o Brasil.

Na nota, a UNIFESP afirma que o bloqueio está mantido, independentemente do que a imprensa vem noticiando.

Educação é alvo de brutais ataques neste primeiro semestre de governo

A educação foi uma das grandes pautas do governo em sua campanha eleitoral. Temas como o Escola Sem Partido, a polêmica frente às fake news sobre “kitgay” e outras coisas que supostamente seriam distribuídas nas escolas, além de constantes declarações contra as universidades públicas e os centros e diretórios acadêmicos, chamados de “ninhos de ratos” pelo até então candidato.

Nos primeiros meses de governo, o Ministério da Educação dirigido até então por Ricardo Vélez que chamou mais atenção pelas suas trapalhadas reacionárias, como quando o MEC soltou uma nota pedindo que escolas filmassem os alunos cantando o hino nacional e que era necessário revisar o ensino à respeito da Ditadura Militar no Brasil; disse também que as universidades não devem pertencer a todos e sim a um seleto grupo de elite.

No dia 29 de Março, ainda sob o comando de Velez, R$ 5,839 bilhões foram congelados do orçamento da educação, o que equivale a 25% do que era previsto. No dia 08 de Abril, Abraham Weintraub, homem de negócios, é escolhido por Bolsonaro e o MEC começa a sair da “paralisia”.

Weintraub chegou aos holofotes quando decretou o corte de 30% no orçamento das universidades federais de Brasília (UnB), Bahia (Ufba) e no Rio de Janeiro (UFF) com uma retórica ao estilo Escola Sem Partido afirmando que “universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas. A lição de casa precisa estar feita: publicação científica, avaliações em dia, estar bem no ranking”, logo depois, generalizou a medida para todas os institutos e universidades federais.

O ataque, acompanhado por tamanho reacionarismo, gerou revolta, milhões de jovens saíram às ruas no dia 15 e também no dia 30 de Maio em defesa da educação, as primeiras grandes manifestações desde o início do governo Bolsonaro.