Igor Julião, o boleiro progressista

O Lateral do Tricolor Carioca, apoia firmemente os movimentos progressistas, anda de metrô pelo Rio de Janeiro e ainda milita contra os cortes na educação decretados pelo governo Bolsonaro.

Completamente distante do perfil normal do “boleiro”, o lateral-direito Igor Julião surpreende quem não o conhece ao falar sobre temas como desigualdade social, preconceitos e a intolerância no futebol. Em seu apartamento, na Barra da Tijuca, o jogador e sua esposa, Carol, colecionam várias referências à pintora mexicana Frida Kahlo e o atleta não tem medo de expor o que pensa: fez questão de vestir, nos dois turnos, uma camisa com a foto da vereadora assassinada Marielle Franco. Em conversa com o LANCE!, ele falou sobre o interesse por filosofia, as divergências nas eleições e a situação política no Brasil.

– Sou um privilegiado pelo salário que ganho e a profissão que tenho. Sei disso. É estranho as pessoas reagirem mal a uma mulher negra, que saiu da favela, brigando pelas coisas que brigava, batendo de frente, a luta pelo feminismo e pelas classes, como era a Marielle. Vesti a camisa pois acho que representa muitas mulheres do nosso país. A luta que ela estava comprando era enorme e eu me identifico. Muita gente achou um absurdo. O Brasil é um país livre para quem quer vestir o que quiser. Na época da eleição estava um clima muito hostil. Foi surreal no que o país se transformou. Vou continuar falando sobre desigualdade, que é algo gritante. Talvez seja o maior problema que temos. Se hoje tenho o privilégio de ter essa exposição por causa do futebol, de ter um salário maior do que 90% da população, vou usar isso para falar. Almejo um país melhor, menos desigual nas classes sociais, em gênero. 

O jogador está apoiando as manifestações do dia 30 de Maio.