Opinião: CADÊ A NOVA POLÍTICA?

Por Nilton Tristão

Sinceramente, permaneço não compreendendo o verdadeiro significado da nova política. Ou melhor, tendo a acreditar que tal movimento seja uma mera falácia, construído sob a égide de narrativas neopopulistas, alicerçadas na estética das redes sociais.

Esse fenômeno contribuiu para o sucesso eleitoral de deputados, senadores e governadores novatos em 2018 e jovens alcaides no pleito de 2016. Através da lenda, prosa ou fábula de superação do “modelo arcaico da velha política”, não lograram êxito em apresentar qualquer virtude superior às figuras tradicionais que dominavam a condução do poder institucional de até então, contudo, evidenciaram deter todos os defeitos e vícios de ordem comportamental dos mesmos.

Na história dos municípios paulistas encontramos administradores como Renato Amary, Silvinho Peccioli, Abelardo Camarinha, Oswaldo Dias, Clovis Volpi, Luiz Gonzaga, Elói Pietá, Samuel Moreira, Marco Bertaiolli e Milton Monti, entre tantos outros, que até o presente momento não foram superados na competência em compreender e materializar as demandas estruturais que suas cidades tanto necessitavam.

Possuíam inquestionável visão estratégica e capacidade administrativa, muito antes de João Dória trazer a figura do gestor para o centro dos debates. Em desacordo com tais postulados, inúmeros chefes de executivos municipais buscarão a reeleição no próximo ano, ofertando possíveis melhorias na zeladoria ou avanços pontuais.

Conjuntura incongruente para cidadãos que se apresentavam como agentes responsáveis por mudanças que chegariam consubstanciadas no trinômio: inovação, desenvolvimento e prosperidade. Nesse sentido, a eleição de 2020, será marcada pelo equilíbrio, ou seja, “nem tanto ao mar, nem tanto a terra”.

A renovação permanecerá como paradigma central, mas passará pela validação da história dos protagonistas, referendadas pelo conhecimento de soluções efetivas e apontamentos para caminhos que fortaleçam a vocação municipal.

Por exemplo, a crônica recente de Cajamar deve ser desnudada e apresentada de como o tradicionalismo predatório e a novidade inconsistente pode inviabilizar uma localidade com potencial para liderança regional em progresso social e econômico.

Em síntese, governar o desígnio de uma sociedade, transformou-se em tarefa para gente com vocação pública, espírito elevado, e profunda noção de princípios republicanos. Na condução dos interesses coletivos, o fim do império baseado nas premissas dos três “D” (desmando, demagogia e dinheiro), transformou-se num caminho irreversível.

Foto: Repórter Diário

Nilton Cesar Tristão
Cientista político
Diretor do Instituto Opinião Pesquisa e GovNet