Crônica: Dia no parque

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Por  Gustavo Oliveira

Gosto de andar pelas ruas, todo final de tarde. Lembro-me dos passeios que eu fazia com os meus amigos. Costumávamos fazer corridas de bicicletas pelo parque. Xarope, meu melhor amigo, nós vivíamos competindo. Ele ganhava uma e eu ganhava outra. Nós morávamos na mesma rua. Íamos juntos para a escola de bicicleta, mais um pretexto para apostarmos alguma corrida.

Era um bom exercício logo pela manhã. Xarope tinha esse apelido por detestar tomar remédios, e sempre fazia caretas quando tinha que tomar. Seus pais passaram a chama-lo assim. Mas seu verdadeiro nome era Rodrigo Gonçalves. Ele não curtia muito a escola, diferente de mim, que sempre anotava tudo. Porém, as suas notas eram boas, Rodrigo tinha uma aptidão para matérias como matemática, seu raciocínio funcionava tão bem, que os professores se admiravam. Meu talento era nas matérias como português, então, eu sempre o ajudei com a gramática e literatura. E Xarope me ajudava com os cálculos.


Pois é, passamos por muita coisa juntos. Eu queria que ele ainda estivesse aqui comigo, mas, não temos controle sobre nossas vidas. Recordo com um aperto no meu coração. O dia que eu vi o meu amigo de infância, levar um tiro bem na minha frente. As pessoas dizem que nunca nos esquecemos de como se anda em uma bicicleta, mas, depois daquele dia. Não consigo mais pedalar em uma. Quando vou ao parque, sinto que algo está faltando.

Naquele dia, naqueles segundos que se passaram na minha frente, me fez perceber a dor e a saudade que uma bala perdida pode causar. O ser humano criou armas para se defender, mas, enquanto não aprendermos a nos humanizar, a saudade ainda irá fazer parte da vida de muitos corações.