Artigo: Os profetas na política

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É um risco escrever qualquer coisa que associe a religiosidade com a política atual. É ascender um fósforo próximo a um barril cheio de pólvoras, porém, é preciso deixar o campo dos melindres para enxergarmos a realidade sem o medo da critica.

Eu convivo diariamente com a política há uma década, convivo com o evangelho desde o berço e desde então tento manter uma longe da outra. Meu ponto de vista será apenas mais um dentre tantos, mas o que realmente vale é o ponto de vista do evangelho.

Em tempos que a igreja arrecada via caixa 1 (dízimo) e não supre a demanda, precisando então apelar para o caixa 2 (toalhinhas, canetas, águas ungidas) para sanar suas dívidas de “campanhas” publicitárias, fica difícil ter voz profética de bater na cara do poder e mostrar a veracidade da subversão que é o evangelho de Jesus.

O profeta não tem mais moral de entrar no palácio para enfiar o dedo na cara do Rei. O rei já comprou o profeta, a família do profeta e até mesmo a igreja do profeta. Políticos nos púlpitos, profetas nas tribunas e nas urnas, quase uma simbiose entre igreja e estado.

Dificilmente você encontrará um vereador ou prefeito que não tenha em seu gabinete um agente da igreja, ou seja, um cargo destinado ao acordo feito nas eleições em troca do apoio daquela denominação.

Uns colocam a igreja na posição de direita pelo seu conservadorismo, outros colocam a igreja na esquerda pelo seu papel social, mas o fato é que Jesus não pregou esquerda ou direita, mas : “Buscai as coisas do alto”.

Me incomoda quando a cristandade usa seus programas para defender governo, ao invés de propagar o evangelho. Os anti-Lula, os pró-Bolsonaro, os Marineiros, os Psolistas … enfim, é preciso se encontrar em algum lugar na política atual para poder SER alguém. Enquanto o evangelho abre uma fenda entre fé e poder. Jesus rejeita o poder político tanto oferecido por Satanás, quanto oferecido pelo homens. A igreja está aceitando tudo.

Jesus que foi vítima de delação premiada (30 moedas de prata), preso por uma questão política e condenado a morte com o aval dos movimentos sociais da época, não está ligando muito para o contexto político de esquerda e direita. Jesus ainda se preocupa com a alma do ser humano.
Isso vale mais do que o mundo todo.