Febre no YouTube, conheça o “Choque de Cultura”

Achou que não iria ter Choque de Cultura aqui? ACHOU ERRADO 

Criado pela TV Quase e exibido pela Omelete, o Choque de Cultura é um programa que discute filmes e séries. Porém, no lugar de críticos, os comentaristas são motoristas de transporte alternativo, que dão sua opinião sobre as obras analisadas, além de contarem suas histórias pessoais.

Os personagens

Rogerinho do Ingá, o personagem de Caito Mainier, é o âncora. Meio casca grossa, ele conduz as discussões que têm como base trailers de filmes, nem sempre lançamentos.

Maurílio, interpretado por Raul Chequer, é o único dos quatro que, de fato, trabalha com transporte de equipes de cinema, por isso, é dado a fazer comentários pseudo intelectuais, o que lhe rendeu o apelido de “palestrinha”, e se dirige aos espectadores como “amantes da sétima arte de todo o Brasil”.

Julinho da Van, o Leandro Ramos na vida real, é o mais discreto, vida boa, só usa regatas e, além de motorista, vende um treino especial para ficar sarado, forte, “botar um bração” – muito embora ele próprio não esteja exatamente em forma.

Renan, o Daniel Furlan, é, para muitos, a estrela dos quatro. Língua presa, cavanhaque, óculos escuro na cabeça, faz os comentários mais absurdos.

Absurdo, aliás, é uma boa palavra para descrever o tipo de humor do Choque de Cultura. No começo é um pouquinho difícil de entrar no mundo deles, mas depois que você entra, é um caminho sem volta. O próprio Caito Mainier tem uma história boa sobre isso. Em 2016, quando lançaram o primeiro episódio do programa, entre comentários que diziam “que porra é essa?” e “o Omelete baixou o nível”, alguém disse no Youtube que os quatro eram “claramente atores”. Nada mais nonsense, nada mais Choque de Cultura do que isso. Afinal, é claro que eles são atores. Ou não é? A graça do programa talvez venha justamente daí: os quatro personagens são tão bem construídos, estão cada vez tão mais críveis, com histórias “pessoais” que vão para além do programa, que até acaba acontecendo uma confusão entre criador e criatura. Não à toa, no Oscar do ano passado, os quatro personagens ficaram ao vivo, durante 5 horas e meia, comentando a cerimônia.

E no Brasil, em pleno 2019, também nunca é demais lembrar que, por enquanto, o Choque de Cultura vem sendo uma unanimidade entre diferentes grupos políticos. Eles não pretendem levar política para o programa e já deram muita risada com os memes que os encaixaram tanto à direita quanto à esquerda. Segundo o Caito Mainier, primeiro eles assistem o trailer dos filmes – sim, porque eles juram nunca terem assistido um filme que resenharam até o final –, depois tem uma rodada de brainstorm meio nonsense e, a partir daí vão afinando o roteiro. Nunca se importam com política na hora de construir os episódios, mas, às vezes, “descobrimos que a parada tinha uma conotação política só quando vai ao ar e tem uma repercussão com esse viés”.