Energia não é bomba! Bolsonaro mente ao falar de relação entre Lula e Irã

Diferentemente do que foi dito ontem e publicado hoje pelo presidente Jair Bolsonaro, a Declaração de Teerã, acordo nuclear proposto não previa que houvesse enriquecimento de urânio a 20%, passível de uso em armas nucleares em território iraniano.

Em 2009, Lula viajou ao Irã para se encontrar com Mahmoud Ahmadinejad, então presidente do Irã. Na época, o país persa ampliava seu programa de enriquecimento de urânio. Os Estados Unidos e outros países temiam que a iniciativa fosse utilizada para o desenvolvimento de armas nucleares.

A ideia do acordo:

A Declaração do Teerã foi proposta em 2010 por Lula e pelo então primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. O acordo, que acabou não sendo implementado pois não teve apoio integral dos EUA, previa que o Irã enviaria 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para a Turquia.

Em troca, os iranianos receberiam 120 quilos de urânio enriquecido a 20% de países integrantes do Grupo de Viena, composto pelos EUA, Rússia, França e pela Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica). Pelo acordo, o Irã usaria o urânio enriquecido em instalações civis, para fins pacíficos.

Com 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento a menos nos estoques do país, o Irã teria pouca matéria-prima para a elaboração de urânio de melhor qualidade. Quanto maior o estoque de urânio altamente enriquecido, maior a capacidade de um país produzir uma bomba atômica.

Lula diz que Bolsonaro mente:

Em nota, Lula disse que Bolsonaro mente ao dizer que o ex-presidente defendeu que o Irã pudesse enriquecer urânio a 20%. Ele lembrou o fato de o ex-presidente Obama ter elogiado o acordo.

Para o petista, o acordo é considerado até hoje como o melhor já feito com o Irã. “O próprio Obama escreveu uma carta dizendo expressamente que as condições conseguidas na negociação fechada pelo Brasil e pela Turquia eram as ideais”, afirmou Lula.

Fonte: UOL