Em tempos de polarização, animação ‘Irmão do Jorel’ faz críticas à ditadura de maneira inteligente

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Por Victor Rodrigues

É raro ver o Brasil retratado em uma animação. Mais raro ainda é ver alguns dos maiores problemas do Brasil retratados em uma animação de maneira sutil e corajosa.

Irmão do Jorel é uma animação brasileira criada em 2014 pelo capixaba Juliano Enrico, atualmente o desenho é uma exclusividade da Carton Network e está sendo exibido em toda a América e em alguns países da Europa.

Relação com a memória da ditadura militar

No Brasil, apesar do atual presidente ter bizarramente louvado o coronel torturador Brilhante Ustra na votação do impeachment de Dilma Rousseff e ainda instituír a comemoração do dia 31 de Março (Dia Do Golpe Militar), tivemos um regime que calou a população por décadas, torturou e matou centenas de pessoas.

É algo importante e que deixou marcas na geração que presenciou o processo, tendo seus ecos sentidos até hoje. Em “Irmão do Jorel”, Seu Edson, o pai da família, é um ex-militante revolucionário, que tentou lutar contra a ditadura fazendo uma peça infantil chamada “Um Urso Numa Casquinha de Noz” (risos).

Quem estava no poder durante esse período, no universo da animação? Os palhaços Militares .

Liderados por Rambozo (uma mistura de Rambo com Bozo?), os palhaços são proibidos de sorrirem ou de se divertirem enquanto contam piadas. Apesar da maquiagem peculiar da profissão, utilizam trajes militares e precisam obedecer a uma rígida hierarquia, mostrada no episódio de número 16, quando Irmão do Jorel é recrutado para se tornar palhaço profissional.

Todo o tipo de força repressora da animação é liderada por Hambozo, inclusive a polícia. Tortas e flores d’água são as armas dos tristes palhaços, que querem levar uma alegria burocrática e controlada à população.

Para quem quer se politizar, irmão do Jorel é uma animação para toda a família.