Volpi inelegível e os interesses

Por Samuel Boss

Minha estreita amizade com o ex-prefeito, Clóvis Volpi não me tira o direito de fazer uma leitura  sobre os interesses  e as motivações que levaram os vereadores a deixá-lo inelegível. A reação jurídica sobre anulação da sessão e dos votos virá no futuro, nos importa agora entender o presente.

Há quem ache o Volpi um bom político; há quem ache uma raposa; há quem o chame de ladrão; há quem diga que ele foi um bom gestor; há quem diga que ele mudou a cidade; há quem não diz nada. Mas o ponto principal é a decisão política sobre suas contas do período de 2012 rejeitadas pelo TCE.

Os novos vereadores, de primeiro mandato, ligados estreitamente a nova gestão fizeram o que deveria ser feito: receberam ordens de seu chefe e as cumpriram sem questionar. Isso é válido, fizeram parte de um grupo político que elegeu  o atual prefeito, a lealdade é uma virtude. Porém, só erraram no discurso dado a imprensa: “Não posso ir contra ao Tribunal de Contas”. Ok, é lícito, mas por que este argumento só serve agora?

Os vereadores da base que respeitaram a decisão do Tribunal de Contas, foram os mesmos que ignoraram a decisão do TCE no caso do prefeito Kiko, que também teve suas contas rejeitadas, teve problema jurídico e disputou com liminar. Todos eles apoiaram o prefeito e sentaram em cima da decisão do TCE.

Já os vereadores mais antigos como Banha, Silvino de Castro e Arnaldo Sapateiro, utilizaram a administração de Volpi como norte para o seu voto. Para eles, Volpi foi um bom prefeito e não havia dolo em suas contas.

Mas chama atenção o voto de três vereadores: Rubão, Amigão e Amaury.

Rubão vive a esperança de que a qualquer momento o atual prefeito, Kiko Teixeira poderá ter seu mandato interrompido, e ele por ser presidente da Câmara, assume a cadeira e pode ser um potencial candidato.

Amaury que utilizou a tribuna com a voz tremula e sem graça, declarou seu amor ao ex-prefeito, mas não poderia ir contra a decisão do TCE. Amaury deu um tiro no pé do PV, afinal Volpi foi prefeito pelo partido do vereador, e a lógica é que o vereador rejeitou a administração do PV na cidade. Mas o interesse é óbvio, ele e o vereador Amigão D’orto mantém uma parceria e um acordo de estarem juntos caso haja novas eleições. Volpi seria um problema para a dupla.

Amigão D’orto não foi tão amigo assim. Seu irmão, Charles D’orto que tentou em todo tempo ser vice de Volpi nas eleições de 2016 , depois tentou ser candidato do ex-prefeito pelo PSDB, deixa a atitude do parlamentar questionável. Na época em que se buscava parceria já havia a decisão do TCE. Então o que fez o parlamentar mudar sua opinião? A possibilidade de ser prefeito sem outro adversário. Leia matéria da época.

Na cabeça dos atuais atores políticos de Ribeirão Pires, se cassarem o mandato do prefeito, e a decisão de inlegibilidade de Dedé e agora a de Volpi, torna o caminho mais fácil para seus objetivos.

Resumindo, Ribeirão Pires continua em campanha eleitoral.