“Médico agressor” vira bode expiatório da Saúde em Ribeirão

 

Por Samuel Boss

 

Você provavelmente viu as cenas de agressão do médico ortopedista, Ocilmar Dias Amaral Junior aos profissionais de imprensa da cidade de Ribeirão Pires. Pois bem, o médico se tornou um grande bode expiatório da Saúde da cidade. A demora de 6 horas no atendimento  ao pacientes, conforme relatado pelos próprios jornalistas,  não é mais o problema da saúde, a agressão do médico ao repórter é mais grave. Afinal, o médico ortopedista não é responsável pela triagem ou atendimento emergencial, estes são feitos pelos clínicos gerais.

Vou analisar o fato pela ótica de um profissional de imprensa que atuou na cidade, ameaçado de morte e com quase uma dezena de processos nas costas. Mas também o farei sob o olhar de quem está de fora da política local de Ribeirão Pires. A quem interessou este imbróglio todo?

Será que a ação jornalistica da última semana não foi jogo combinado como o  governo?

Trabalhei durante dois anos cobrindo a cidade, e durante este período, sempre fomos impedidos de gravar ou fazer imagens da UPA. A GCM que faz a segurança do local barra qualquer ação de entrada de jornalistas. Por que de repente um jornal tem acesso as salas dos médicos sem nenhuma abordagem da segurança?

O que é mais danoso, um médico pego em flagrante visitando um site de tecnologia em horário de trabalho, ou sabermos que numa cidade com mais de 100 mil habitantes a emergência médica conta apenas com 3 profissionais e que um deles é especialista e não clinico?

Será que o intuito da matéria em tentar culpar os médicos pela demora no atendimento não revelou também a incompetência dos gestores públicos e da atual administração em gerir seus equipamentos de Saúde? Como vamos explicar a demora de 6 horas no atendimento emergencial? Como vamos explicar que a UPA tem apenas 3 médicos de plantão?

Havia um computador na sala do médico, para quê? Este computador está conectado a algum sistema que gerencia atendimentos, ou é apenas para uso pessoal do médico? Se existe um sistema, poderemos através dele saber quantos atendimentos foi realizado pelo ‘médico brigão’, porém, se não há sistema algum, a secretária de Saúde poderia explicar por que existem computadores nos consultórios.

Mas o problema está solucionado, segundo a secretaria de Saúde, o médico conectado em sites de tecnologia, poderá ser demitido, após abertura de processo administrativo. E assim, os problemas de 6 horas no atendimento será solucionado. Com a exoneração do doutor, a fila ira diminuir, pois, o problema do sistema de Saúde de Ribeirão Pires foi detectado com sabedoria: um médico que navegava na internet enquanto trabalhava.

Repudio a violência em qualquer ambiente, principalmente aos colegas de imprensa, mas a discussão aqui vai além. O médico será punido por sua agressão, mas será que a saúde da cidade melhorou depois deste fato? Cadê a secretária? Cadê o prefeito? Cadê a GCM?

O médico brigão se deu mal, pagou o pato. Agora o cidadão já pode ir com tranquilidade na UPA que ele será atendido em menos de 30 minutos, ou não?

Enquanto um jornalista tiver que  literalmente ‘dar cara a tapa’ pela saúde da cidade, o cidadão poderá ter a certeza que a vaca já foi para o brejo faz tempo.