‘A política de Ribeirão Pires necessita de renovação, sangue novo e vontade de trabalhar’, diz advogada Mairim em entrevista

Mairim é pré-candidata a vereadora em Ribeirão Pires

A advogada Mairim Andressa Bruno Costa da Silva é moradora de Ribeirão Pires há 24 anos, é pré-candidata a vereadora na cidade e em entrevista exclusiva ao site Bastidor Político, falou sobre o cenário político da Estância, da importância da representação feminina na Câmara Municipal e sobre suas principais bandeiras.

BP- O que te motivou a entrar na política de Ribeirão Pires?

Eu acredito que a nossa cidade tem um potencial gigantesco em diversos seguimentos, e não vejo o empenho necessário nem por parte do Executivo e nem do Legislativo pra fazer acontecer. Não me sinto representada pela Câmara municipal que não conta com um empenho fiscalizador e nem para legislar. Infelizmente existem vereadores que estão há no mínimo 2 mandatos na cadeira e não possuem nenhum projeto de lei. Isso é um absurdo. Sem uma Câmara efetiva na sua função o executivo manda e desmanda de maneira que beneficia a minoria interessada.
Além da falta de capacidade técnica existe também a falta de interesse em ver mudanças. Esses são alguns dos motivos pelos quais decidi ser pré-candidata. Acredito que a política da nossa cidade (assim como do nosso país como um todo) necessita de renovação, de sangue novo e vontade de trabalhar.

BP- A cidade não conta com uma representante mulher, como você vê essa situação?

Mairim com os prés-candidatos a prefeito e a vice; Clovis Volpi e Amigão D’Orto

MA- Infelizmente as mulheres vem de um histórico de patriarcado que está enraizado na cultura não só nacional mas mundial. Hoje somos maioria do eleitorado brasileiro (quase 53%) e temos pouquíssimas mulheres em cargos de relevância tanto na área pública quanto privada.
Estamos num momento de alavancagem do empoderamento feminino, vimos isso diariamente como pauta no que tange a igualdade salarial, combate à violência contra mulher e outros assuntos que vem sendo amplamente divulgados, no entanto ainda temos muito o que conquistar. A mulher precisa da representatividade pra saber que pode o que ela se propuser a fazer ou conquistar.
Muitas mulheres ainda seguem por exemplo o voto do marido, no entanto as vezes aquele marido vota em determinado candidato porque ele pagou um “churrasco” ou uma cerveja pra ele e os amigos, a mulher por sua vez sabe das reais necessidade de um município; Por exemplo na maioria das vezes é ela quem leva seus filhos a uma UBS para acompanhamento médico ou ainda usa do transporte público pra locomoção, ou seja é ela quem realmente sofre com as carências da administração pública e ela precisa se conscientizar que tem sim o Poder de decisão de seus representantes.
Uma visão feminina é NECESSÁRIA dentro da Câmara Municipal tanto pela representatividade quanto pela visão feminina dos temas de interesse municipal.

BP- Você se apresenta como pré-candidata, quais são as bandeiras que você tem defendido?

MA- Sim, acredito amplamente no potencial da cidade, como estância turística que já é. Acredito que a fomentação desse turismo através do incentivo aos comerciantes que são quem sustentam a economia local é de suma importância.
Acontece que diante da pandemia do Novo Coronavírus estamos vivendo uma época sombria no que tange a economia municipal, realmente é preocupante a quantidade de pequenos empresários que não estão conseguindo manter suas atividades.
O desemprego vem crescendo e infelizmente a tendência é piorar nos próximos meses, acredito que o próximo mandato será bastante complicado e o objetivo deve ser enxugar a máquina pública para que questões básicas como saúde e educação sejam prioridade absoluta.
Um pai de família que vier a ficar desempregado infelizmente não vai poder arcar com um convênio médico o que causará um sobrecarregamento do SUS, as escolas municipais também, já que muitos que estudavam em escolas particulares não vão mais poder arcar com tal gasto. Enfim, se formos enumerar aqui as questões de carência que acontecerão diante de uma crise econômica no país não caberia nessa resposta. O fato é não terá espaço pra vereadores e prefeitos sem vontade e intenção de trabalhar em prol da população.
Fazemos parte de um todo, e esse todo precisa funcionar pro bem geral. Como nossa cidade sobrevive da economia por maioria de comerciantes o incentivo à esses pequenos empresários poderá minimizar o desemprego, o que por sua vez vai diminuir os impactos.
Sabemos que o executivo precisa de um legislativo efetivo para legislar no sentido de Leis inteligentes quanto a esses temas e ser fiscalizado para evitar superfaturamentos de contratos entre outros desmandos que infelizmente são comuns em nosso país como um todo.

BP-Qual sua visão da atual administração da cidade?

MA- Minha visão é de total descontentamento. Tanto o Executivo quanto o Legislativo são extremamente omissos quanto a questões de relevância. O mínimo não funciona na cidade.
Não temos acessibilidade garantida, não existe transparência por parte da atual gestão em divulgar questões de interesse dos munícipes.
A quantidade de escândalos judiciais quanto ao próprio Prefeito e diversos secretários e assustadora.
A câmara por sua vez que deveria ser o ente fiscalizador se mostra totalmente conivente aos desmandos praticados pelo executivo, o que me leva a crer que existe algo ligando vereadores e prefeito.
A zeladoria que é algo básico no município não existe, nesse ano (que por sinal é ano eleitoral) asfaltar o centro da cidade não deveria ser prioridade ainda mais em tempos de pandemia mundial.
Cargos técnicos sendo exercidos por amigos do Rei é outro absurdo. A máquina pública não tem tempo e nem dinheiro pra perder com péssimos gestores, enfim, esses são alguns dos diversos pontos que considero negativos na atual administração.

BP- O que a cidade pode esperar da Mairim como figura pública?

MA- A cidade pode esperar comprometimento e transparência total.
Eu acredito muito na educação como chave da mudança. Os munícipes como um todo devem entender como a máquina pública funciona, qual a função de um vereador, de um prefeito, como um contrato com a prefeitura é fechado, enfim, precisa saber do básico.
Eu como advogada já me proponho a facilitar questões de difícil entendimento e como figura pública isso deve ser intensificado.
Como respondi acima acredito na valorização da mulher e a defesa dela será sempre minha prioridade como mulher que sou.
Não sou e nunca fui conivente a desmandos o que acredito ser um requisito básico em qualquer figura pública. Não podemos nos omitir diante do que não está certo e isso sem dúvida é um traço da minha personalidade.
Verdade, trabalho e transparência são virtudes que cabem em qualquer lugar especialmente na administração pública.