Os Damos até leram ‘O Príncipe de Maquiavel’, mas não entenderam nada

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POR SAMUEL BOSS

A família Damo conhece bem o poder e a engrenagem que a  faz girar, porém, nas últimas semanas o clã demonstrou amadorismo em algumas decisões, abrindo um flanco gigantesco em suas armaduras políticas, o que poderá lhe gerar um dano irreparável.

É natural que políticos ou pessoas ligadas a políticas tenha o livro de Nicolau Maquiavel (O Príncipe), como fonte de conhecimento e direcionamento estratégico, no entanto, parece que os Damos até leram a obra, mas não entenderam nada.

A demissão na última quinta-feira (29) do braço direito do prefeito, Atila Jacomussi (PSB), o chefe de gabinete, Marcio Souza, não foi apenas um erro administrativo ou de governo, foi um erro irreparável para o futuro do Clã em Mauá.

“Quando a cidade ou países estão acostumados a viver sob um príncipe, e sua família é exterminada, eles, estando por um lado, acostumados a obedecer, por outro lado, não tendo mais o príncipe antigo no poder, não conseguem chegar a um acordo para a escolha de outro líder e não sabem como governar. Por essa razão, são muito lentos em tomar armas, e um príncipe pode vencê-los e apoderar da cidade com mais facilidade” Capitulo V – O Príncipe.

Alaíde tentou exterminar a “família Atila” acreditando que desfazer de todo o time, teria mais liberdade para governar a cidade. Mas nem os funcionários da prefeitura, os equipamentos públicos, os secretários, nem mesmo a Câmara de vereadores estão claros sobre o fim de Atila na prefeitura.

Alaíde é um personagem que apena diz “sim” ou “não”, mas quem toma as decisões e lhe apresenta as opções são outros: sobrinho, marido e filha.

Não quero me atentar nos supostos crimes na merenda- o que ocasionou todo este imbróglio- pois teria que detalhar este problema com os demais prefeitos: Operação Prato Feito com Atila; Caso das almondegas com Donisete; e a merenda superfaturada no governo Leonel Damo em 2006. Quero me atentar ao erro estratégico do governo interino.

Os Damos que estavam isolados (devido a cassação do mandato da Vanessa), antes das eleições e foram resgatados num acordo eleitoral pelo então candidato Atila. Como não tinha nenhum nome para sustentar a família, escolheram o ex-genro, Junior Orosco, mas, por problemas de documentação, Orosco saiu da chapa e inventaram a Alaíde no lugar.

Neste ano, Atila trouxe para perto a Vanessa Damo e deu a ela um cargo no primeiro escalão, pois, sabia que em 2020 ela estaria livre da lei Ficha Limpa e poderia ser candidata. Então veio a prisão e agora os Damos dominaram tudo.

O grande problema é que o Clã criou mais um grupo opositor na cidade: Os Jacomussis. Oswaldo Dias deve estar rindo a toa por isso. Afinal, Oswaldo sempre utilizou desta estratégia para derrotar os Damos, rachava a direita e o centro fomentando candidaturas que tirassem votos dos Damos e assim, saiu vitorioso nas urnas. Donisete também ganhou nesta mesma circunstâncias.

Os Damos só se esqueceram de algo: a justiça pode determinar a volta de Atila para a cadeira de prefeito. Caso isso ocorra (pois não entendo nada de direito), os Damos vão ter que lidar com mais um período na solitária. Terão o PT, Orosco, os Jacomussis e os demais grupos políticos da cidade como adversários da família. Além do fato do pai de Atila ainda presidir a Câmara e travar todo o andamento do governo na Casa de Leis. E nisso, a atual prefeita não vai poder nem mesmo dizer: “sim ou não”. Será fato dado.

Como diz o ditado: “quer conhecer o ser humano? Dê poder a ele”. Eu vou melhorar a frase “quer conhecer o ser humano? Tira o poder dele”. Os Damos ressuscitaram Oswaldo, acenderam a ira dos Jacomussi e de quebra ainda terão muitos grupos independetes na artilharia.

Da próxima vez, leiam Maquiavel com mais atenção, afinal, o resumo está dado: “um príncipe pode vencê-los e apoderar da cidade com mais facilidade”.