ARTIGO: SEGREDOS DE UMA MULHER COM DEFICIÊNCIA

Por Regiane Nunes


Sem vitimismo, apenas uma constatação. Reflita.

Depois de tantas poesias, homenagens e flores, chegou a hora de compartilhar algo que vive nos bastidores da vida das MULHERES COM DEFICIÊNCIA. Participo de muitos grupos de discussões e convivo com mulheres com variados tipos de deficiências, e tem coisas que nem a própria resiliência pode transpor… É muito além de uma questão de autoestima.

Mulheres cadeirantes, amputadas, cegas, mulheres com má formação, deficientes intelectuais, surdas, mudas, cegas, altas, baixas, gordas, magras. Estamos por todas as faixas etárias, etnias, raças, religiões, estratos econômicos e orientação sexual,

Contamos com ações inexpressivas voltadas para as nossas necessidades nos serviços de atenção primária em saúde, como por exemplo, aos direitos sexuais e reprodutivos por sermos mulheres com deficiência. Lembro-me que certa vez em consulta ao ginecologista, o mesmo sugeriu que eu não tivesse a capacidade de ser mãe, simplesmente pelo fato de não enxergar.


Somos desautorizadas e as vezes até invisíveis, buscamos recuperar a identidade feminina que a cultura nos nega, além de uma política que preserve o direito de definirmos nossas diferenças físicas e nossa feminilidade por nós mesmas.


Ouço com frequência a frase “Você é cega? Nem parece cega, é tão bonita.”. a beleza, em nossa sociedade, consiste em um sistema de valor, uma ideologia cultural coercitiva que relaciona determinada aparência corporal como pré-requisito para ganhar amor, status e reconhecimento, e revela o paradoxo de que a mulher emancipou-se politicamente, mas não se liberou do mandato social de perseguir beleza.


Somos o corpo que somos, não somos o corpo que temos. “bota na cabeça, de uma vez por todas: teu corpo é teu templo. Ele é divino por natureza! E tudo que é divino… é lindo!”